BRAZIL
Hackeando a sociedade

17/09/2018

Hackeando a sociedade

A região sul de minas é um polo de tecnologia dos bãos. E não é de hoje. Aquelas terras sempre atraíram pessoas do Brasil inteiro para estudar, ensinar ou apenas para visitar as festas das repúblicas, o que não deixa de ser uma experiência transformadora. Foi lá que surgiu a primeira fábrica de armas do Brasil, e é lá onde os centros de excelência em eletrônica e mecatrônica se encontram.
 
Conto aqui uma breve história que ilustra o potencial daquela região: Walter Moura, o pai de uma tia minha, se formou lá em 1940. Foi trabalhar no Rio, mas voltava toda semana para dar aulas. Em 1952 passou um tempo nos EUA, voltou e continuou a lecionar. 1956 foi para a Suécia e repetiu o enredo que o leva de volta ao sul de minas. O pensamento inovador que paira no ar daquela região o nutria de alguma forma, assim como o pão de queijo. Em 20 de abril de 1960, Walter Moura fez a primeira ligação telefônica por micro-ondas, ligando Brasília, Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro. E logo em seguida faleceu num acidente de avião, como quem já havia cumprido sua missão da terra.
 
E sem dúvida alguma essa aura de inovação não perdeu o brilho até hoje. Pude testemunhar isso no evento Hacktown, que aconteceu em Santa Rita do Sapucaí e juntou mais de 4 mil pessoas. Uma grande quantidade de gente reunida para discutir, debater e abrir a cabeça para os mais diversos temas, desde a comunicação mais pura e simples, pausa prum cafézim, passando por cultura organizacional, pausa pra uns biscoitim de queijo,  levando o assunto até games e e-sports.
 
Poderia discorrer aqui sobre todas as palestras, os espaços de pensamento aberto, o encontro com pessoas brilhantes, o papo rápido com experts nas mais diversas áreas, o networking etc. Mas o que mais me marcou foi ver a comunidade local se engajando para que tudo funcionasse direitinho. O evento me mostrou um senso coletivo de vontade de crescer como sociedade. Os palestrantes, os inscritos e a comunidade local estavam no mesmo mood.
 
Exemplo disso é o  senhor Dija (Adjair), dono de um pequeno restaurante que tive o privilégio de conhecer entre uma palestra e outra. E o Dija, no seu espaço simples, porém honesto, acabou por me dar algumas aulas interessantes. A de atendimento foi apenas a primeira. Tínhamos acabado de chegar em Santa Rita e procurávamos um lugar para almoçar, mas já eram 16h30. O restaurante já estava fechado, mas quando perguntamos ele prontamente reabriu e preparou um dos melhores almoços que já tive o prazer de desfrutar.
 
No dia seguinte, voltamos pra jantar, e um dos eventos do Hacktown estava sendo lá. Ao ver que o Dija estava todo enrolado, nós acabamos por ajudar ele a servir a turma toda que estava faminta para o IGovNight, foi uma experiência muito bacana e enriquecedora.
 
A cada dia que passava, a nossa mesa cativa no restaurante do Dija crescia. Mais gente ia se juntando ao nosso grupo. Paulistas, Mineiros, Brasilienses, Cariocas. Era só puxar mais uma cadeira e se juntar ao mesão. No terceiro dia fomos almoçar e jantar lá. Como forma de agradecimento, o Dija preparou uma super Leitoa à Pururuca. Uma maldade que só os mineiros sabem fazer. Saí de lá muito satisfeito, pela comida e também pela experiência. Aprendi muito no evento e na vida.
 
O hacktown me fez pensar que todo o conhecimento que adquirimos precisa ser aplicado na sociedade, para as pessoas. Que é preciso olhar para a tecnologia, mas sem perder de vista às pessoas. E o Dija potencializou esse aprendizado com a prática. 
 
Mateus Braga
Hack now!

São Paulo

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