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Mas o que faz, afinal, um diretor de conceito?

29/05/2017

Mas o que faz, afinal, um diretor de conceito?

Mas o que faz, afinal, um diretor de conceito?

Esse foi o cargo criado pelo Grupo Isobar para Pedro Garcia, que ficou conhecido na internet como Cartiê Bressão

O publicitário Pedro Garcia, 36 anos, ficou conhecido na internet por captar cenas do carnaval carioca pelas lentes de uma simples câmera de um iPhone – com o codinome Cartiê Bressão, abrasileirando o nome do famoso fotógrafo francês Cartier Bresson. O projeto, iniciado em 2012, em paralelo a uma carreira que envolve ainda agenciamento de artistas e empreendedorismo, gerou uma página no Facebook com 70 mil inscritos, uma conta no Instagram com 24 mil seguidores, um site e um livro de fotografias.

Após cinco anos fora do mercado, período no qual se dedicou principalmente à plataforma Queremos!, voltada ao financiamento de shows musicais a partir da demanda gerada pelo próprio público dos artistas, Garcia retornou no mês passado ao dia a dia da publicidade no Grupo Isobar. 

A ideia é que ele circule pelas diferentes empresas do grupo, incluindo a consultoria Cosin, e exerça o cargo de “diretor de conceito”. É uma função criada especialmente para Garcia – tanto o profissional quanto a Isobar ainda tentam entender, exatamente, o que ela significará. 

O objetivo, de qualquer forma, é que ele quebre o molde do fluxo de trabalho de uma agência de publicidade. Com Garcia, o caminho para chegar aos resultados tende a ser menos direto. “Minha visão é que as empresas são como pessoas: têm sonhos, medos e motivações.” Por isso, diz ele, “tudo o que faz parte da vida real, que afeta as pessoas, é boa propaganda”. 

A plataforma Queremos! – que já passou por duas rodadas de investimento e hoje é tocada por sócios do publicitário – foi criada para fazer a ponte entre artistas independentes e as pessoas que gostam de seu trabalho. Só no Facebook, a Queremos! tem 250 mil seguidores. 

Às vezes, diz Garcia, o resultado não é exatamente o que foi planejado. Tome-se o exemplo da We Demand, a versão americana do Queremos! Nos Estados Unidos, onde a cena “indie” é mais estruturada, a plataforma conquistou os youtubers, que usam a ferramenta para marcar encontros de relacionamento com os fãs.

O envolvimento de marcas em projetos que tenham uma história própria pode gerar efeitos positivos. No caso da Queremos!, a parceria é com a cervejaria Heineken. “Por não precisar manter a máquina da liderança girando, a Heineken pode investir em ideias mais inovadoras.” 

Ao trabalhar com a Queremos!, a marca ajuda a realizar shows de artistas que não se viabilizariam só com a venda de ingressos. Neste caso, a Heineken se apresenta de outra forma, segundo o publicitário. Vira o “amigo rico e bacana” que todo mundo gostaria de ter.

Apresentar o “indie” ao comercial parece ser uma das habilidades de Garcia – foi ele quem trouxe artistas regionais e independentes ao Prêmio Multishow de Música. Ao mesmo tempo, como diretor artístico da carreira do DJ João Brasil, ajudou o artista a buscar seu lado mais comercial – o autor do hit Michael Douglas, febre no último carnaval do Rio, agora vem se apresentando em casas de sertanejo.

Ao assumir o cargo no Isobar, Garcia também sai da cena independente e volta no mundo corporativo. Esse processo afetou até Cartiê Bressão: as fotos do alterego do publicitário deixarão de ser feitas em um iPhone e passarão a ser feitas num modelo Samsung, cliente da Isobar.

 Por Fernando Scheller, O Estado de S. Paulo

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